
** Palavras do coração
( Elke Franzeck)
Lembro que quando era pequena, algo entre os meus seis, sete anos, uma das coisas que mais gostava era o momento em que íamos almoçar ou jantar, pois sentávamos em volta da mesa, meu pai, minha mãe e eu, e dividíamos uns com os outros o que acontecia durante aquele dia.
Na medida que os anos foram passando, este costume meio que se perdeu, junto com aquelas conversas gostosas e cheias de alegrias, pois, meus horários de adolescente teimosa já nem sempre se encaixavam naqueles que meus pais escolhiam.
Mas mesmo assim, nos finais de semana e duas noites por semana, nosso encontro era certo e muito divertido.
Lembro que meu pai e minha mãe, mesmo depois de eu já estar casada, nunca deixaram este costume morrer, mas com o tempo, trocaram a mesa do jantar, por bandejas individuais em frente à televisão.
Casei muito jovem, aos dezesseis anos e com a mesma idade fui mãe, hoje tenho 43 anos, e a vida me presenteou com quatro lindos filhos, e olhando para trás, me dei conta de que este hábito de esrarmos todos juntos em torno da mesa, muito cedo se perdeu, e com ele, possivelmente, uma maior interação entre pais e filhos.
Meu marido sempre, desde cedo, trabalhou muito, e por muito tempo, além do trabalho, dedicou-se ainda aos estudos, aperfeiçoando-se na sua profissão, e com isso, muito do seu tempo com nossas crianças foi roubado, talves, este tenha sido então, uma das minhas maiores falhas, não ter proporcionado mais momentos de comunhão familiar entre nós.
É claro que sei, que a família domeu esposo não tinha muito este costume, mas cabia a mim, acostumá-los à isso.
Estranho estar escrevendo sobre este assunto, mas talvez seja apenas uma maneira de procurar desculpas mais amenas para as distâncias que a vida impõem, seja por discordâncias, tempo, trabalho, mudanças de vida, crescimento, desentendimentos e algumas mágoas que por muitas vezes, nem o tempo consegue transpor.
Hoje ainda temos, em alguns finais de semana, nossas refeições em família mas já não são as crianças que estão em torno da mesa, mas sim adultos, que já tem suas vidas distintas, seus caminhos traçados, mas que com muito orgulho, tornaram-se pessoas lindas, de caráter, alma e coração.
Posso dizer que apesar de tudo, ainda somos uma família, dificuldades existem, mas é muito complicado em uma casa ,onde existem vários líderes por natureza, a divergência de idéias não acontecer, mas isso de certa maneira, fortalece, faz crescer, apesar de muitas vezes causar dor.
Não sei se este desabafo faz algum sentido, mas as vezes, apenas jogar palavras no papel é bom, pois nos ajuda a abrandar nosso coração, comigo é assim.
Elke Franzeck
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