* Quem lê Pensamentos...

quarta-feira, março 14


Sabedoria da Terra

Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz. 
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança. 
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios. 
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê. 
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária. 
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo. 
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu. 
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono. 
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera. 
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida. 
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.

"UTE" Philip Novak - A Sabedoria do Mundo 

Passa uma Borboleta

Passa uma borboleta por diante de mim
E pela primeira vez no Universo eu reparo
Que as borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
No movimento da borboleta o movimento é que se move,
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
E a flor é apenas flor...

sábado, abril 2

** A dança chamada... AMOR!

** A dança chamada... AMOR !

Eu nunca disse que o amor é destruído pelo casamento. Como pode o casamento destruir o amor? Sim, ele é destruído no casamento, mas é destruído por você, não pelo casamento. Ele é destruído pelos parceiros.

Como pode o casamento destruir o amor? É você que o destrói porque você não sabe o que é o amor. Você finge que sabe, você simplesmente tem esperança de saber; você sonha que sabe, mas você não sabe o que o amor é. Amor tem que ser aprendido; é a maior arte que existe.

Se as pessoas estão dançando e alguém lhe pede, “Venha e dance”, você diz, “Não sei dançar”. Você não salta e começa a dançar e deixa todos pensarem que você é um grande dançarino. Você irá apenas provar que é um bufão. Você não irá provar que é um grande dançarino. A dança precisa ser aprendida – a graça dela, seus movimentos. Você precisa treinar o corpo para isso.

Você não vai e começa a pintar apenas porque a tela, o pincel e as tintas estão lá disponíveis. Você não começa a pintar. Você não diz, “Tudo que é necessário está aqui, então eu posso pintar”. Você pode pintar, mas assim você não será um pintor.

Você encontra uma mulher – a tela está presente. Você imediatamente se torna um amante; você começa a pintar. E ela começa a pintar em você. É claro que ambos demonstram serem tolos – tolos pintados – e cedo ou tarde vocês entendem o que está acontecendo. Contudo, você nunca pensou que o amor fosse uma arte. Você não nasce com a arte; ela não tem nada a ver com seu nascimento. Você precisa aprendê-la. É a arte mais sutil.

Você nasce somente com a capacidade. É claro, você nasce com um corpo; você pode ser um dançarino porque você tem um corpo. Você pode movimentá-lo e pode ser um dançarino, mas dançar precisa ser aprendido. Muito esforço é necessário para aprender a dançar. E dançar não é tão difícil porque só depende de você.

O amor é muito mais difícil. É dançar com outra pessoa. O outro também é necessário para saber o que é dançar. Ajustar-se com alguém mais é uma grande arte. Criar uma harmonia entre duas pessoas... duas pessoas implicam em dois mundos diferentes.

Quando dois mundos se aproximam, uma colisão está fadada a acontecer se você não souber como harmonizar. Amor é harmonia. E felicidade, saúde, harmonia, tudo procede do amor. Aprenda a amar. Não tenha pressa de casar, aprenda a amar. Primeiro se torne um grande amante.

E qual é a exigência? A exigência é que um grande amante está sempre pronto para dar amor e não se sente incomodado se isso irá retornar ou não. Isso retorna sempre; está na própria natureza das coisas. É como se você fosse para as montanhas e você canta uma canção, e os vales respondem. Você viu algum ponto de eco nas montanhas, nos montes? Você grita e os vales gritam, ou você canta e os vales cantam. Cada coração é um vale, se você derramar amor sobre ele, ele irá responder.

A primeira lição do amor é não pedir por amor, apenas dar. Torne-se um doador.

As pessoas estão fazendo exatamente o oposto. Mesmo quando dão, eles dão apenas com a idéia de que o amor deve retornar. É uma barganha. Eles não compartilham, não partilham livremente. Eles partilham com uma condição. Eles vão observando pelo canto do olho se o amor retorna ou não. Pessoas muito pobres... eles não conhecem o funcionamento natural do amor. Você simplesmente derrama, isso virá.

E se não vier, nada com o que se preocupar porque um amante sabe que amar é ser feliz. Se isso acontecer, ótimo; assim a felicidade é multiplicada. Mas mesmo que nunca retorne, no próprio ato de amar você fica tão feliz, tão extático, quem se importa se isso tem retorno ou não?

Amor tem sua própria felicidade intrínseca. Isso acontece quando você ama. Não há nenhuma necessidade de esperar por resultado. Apenas comece a amar. Aos poucos você verá que muito mais amor está voltando para você. A gente só ama e vem a conhecer o que é o amor somente amando. Assim como a gente aprende a nadar somente nadando, amando a gente ama.

As pessoas são muito mesquinhas. Elas estão esperando por algum grande amante aparecer, então elas amarão. Elas permanecem fechadas, recuadas. Elas apenas esperam. De algum lugar uma Cleópatra virá e então eles irão abrir seus corações, mas nessa hora já esqueceram completamente como abri-lo.

Não perca nenhuma oportunidade de amar. Mesmo passeando numa rua, você pode ser amoroso. Mesmo para com o mendigo você pode ser amoroso. Não há necessidade de dar a ele alguma coisa; você pode pelo menos sorrir. Isso não custa nada, mas seu próprio sorriso abre seu coração, torna seu coração mais vivo.

Segure a mão de alguém – de um amigo ou de um estranho. Não espere só amar quando a pessoa certa aparecer. Assim a pessoa certa nunca irá aparecer. Continue amando. Quanto mais você amar, maior é a possibilidade da pessoa certa aparecer, porque seu coração começa a florescer. E um coração florescendo atrai muitas abelhas, muitos amantes.

Você tem sido treinado de uma maneira bem errada. Primeiro, todo mundo vive sob uma impressão errada de que todo mundo já é um amante. Apenas por nascer, você pensa que é um amante. Não é tão fácil assim. Sim, existe uma potencialidade, mas a potencialidade precisa ser treinada, disciplinada. Uma semente existe, mas ela tem que se tornar uma flor.

Você pode continuar carregando sua semente; nenhuma abelha virá. Você já viu alguma vez abelhas vindo para as sementes? Não sabem elas que sementes podem se tornar flores? Mas elas só chegam quando as sementes se tornam flores. Torne-se uma flor, não permaneça uma semente.

Duas pessoas, separadamente infelizes, criam mais infelicidade para cada um quando se juntam. Isso é matemático. Você era infeliz, sua esposa era infeliz e ambos têm esperanças de que ficando juntos serão felizes? Isso é... isso é uma aritmética tão simples, como dois mais dois são quatro. Tão simples assim. Não faz parte de nenhuma matemática complicada; isso é muito simples, você pode contar nos seus dedos. Ambos serão infelizes.

Cortejar é uma coisa. Não dependa do cortejar. De fato, antes de você se casar, livre-se do cortejar. Minha sugestão é que casamento deve acontecer após a lua de mel, nunca antes disso. Só se tudo correr bem, só então o casamento deve acontecer.

A lua de mel depois do casamento é muito perigosa. Tanto quanto eu sei, noventa e nove por cento dos casamentos acabam quando a lua de mel acaba. Mas então você foi apanhado, assim você não tem como fugir. Então toda a sociedade, a lei, o tribunal – se você deixar a esposa todo mundo fica contra você, ou se a esposa lhe deixar todos ficarão contra ela.

Portanto, toda a moralidade, a religião, o padre, todos estão contra você. Na verdade, a sociedade devia criar todas as barreiras possíveis para o casamento e nenhuma barreira para o divórcio. A sociedade não devia permitir que as pessoas casassem tão facilmente. O tribunal deveria criar barreiras – viva com a mulher por pelo menos dois anos, desse modo o tribunal pode lhe permitir casar-se.

Agora mesmo estão fazendo exatamente o contrário. Se você quer se casar, ninguém pergunta se você está preparado ou se é apenas um capricho, só porque você gosta do nariz dela. Que tolice! A pessoa não pode viver só pelo nariz longo. Após dois dias o nariz será esquecido. Quem olha para o próprio nariz da esposa? A esposa nunca parece bonita, o marido nunca parece bonito. Uma vez que se torna familiarizado, a beleza desaparece.

Duas pessoas devem ser permitidas viverem juntos tempo bastante para ficarem familiarizadas, conhecidos um para com o outro. E mesmo que eles queiram se casar, não devia ser permitido. Assim os divórcios desapareceriam do mundo. Os divórcios existem porque os casamentos são errados e forçados. Os divórcios existem porque os casamentos são realizados num clima romântico.

Um clima romântico é bom se você for um poeta... e os poetas não são tidos como bons maridos ou boas esposas. De fato, poetas são quase sempre solteiros. Eles ficam por aí mas nunca são apanhados e desse modo seu romance permanece vivo. Eles vão escrevendo poesias, lindas poesias. A pessoa não devia se casar com um homem ou com uma mulher num clima poético. Deixe que o clima de prosa venha, então estabeleça. Porque a vida do dia a dia é mais como prosa do que como poesia. A pessoa deve ficar bastante amadurecida.

Maturidade significa que a pessoa não é mais um tolo romântico. A pessoa entende a vida, entende a responsabilidade da vida, entende os problemas de viver junto com uma pessoa. A pessoa aceita todas essas dificuldades e assim decide viver com uma pessoa. A pessoa não está esperando que haverá somente paraíso, todas as rosas. A pessoa não está esperando bobagem; ela sabe que a realidade é dura. É áspera. Existem rosas, mas entre elas, existem muitos espinhos.

Quando você se torna alerta para todos esses problemas e ainda assim você decide que vale a pena arriscar e ficar com a pessoa ao invés de ficar só, então se case. Dessa maneira o casamento nunca irá matar o amor, porque esse amor é realístico.

O casamento só pode matar o amor romântico. E o amor romântico é o que as pessoas chamam amor de filhote. A gente não deve depender disso. A gente não deve pensar nisso como nutrição. Pode ser apenas como um sorvete. Você pode comê-lo de vez em quando, mas não dependa disso. A vida tem que ser mais realística, mais em prosa.

O casamento em si nunca destrói coisa alguma. Casamento simplesmente traz à tona o que quer que esteja escondido em você; expõe isso. Se o amor estiver escondido por trás de você, dentro de você, o casamento o expõe. Se o amor era só fingimento, apenas uma isca, então cedo ou tarde tem que desaparecer. E assim surge sua realidade, sua feia personalidade. O casamento é simplesmente uma oportunidade, o que quer que você tenha para mostrar irá aparecer.

Não estou dizendo que o amor é destruído pelo casamento. O amor é destruído pelas pessoas que não sabem amar. O amor é destruído porque em primeiro lugar o amor não é. Você esteve vivendo num sonho. A realidade destrói esse sonho. Do contrário amor é algo eterno, parte da eternidade. Se você crescer, se você conhecer a arte, e você aceita as realidades da vida-amor, então isso vai crescendo a cada dia. O casamento se torna uma tremenda oportunidade de crescer no amor.

Nada pode destruir o amor. Se ele estiver lá, vai crescendo. Mas meu sentir é que, em primeiro lugar o amor não está presente. Você engana a si mesmo; alguma outra coisa estava lá. Talvez o sexo estivesse lá, o apelo sexual estava lá. Assim isso vai ser destruído, porque uma vez que você amou uma mulher, então o apelo sexual desaparece, porque o apelo sexual é apenas com o desconhecido.

Uma vez que você prova do corpo da mulher ou do homem, então o apelo sexual desaparece. Se seu amor era somente apelo sexual assim ele está fadado a desaparecer. Portanto nunca interprete mal o amor por alguma outra coisa. Se o amor for realmente amor...

O que quero dizer quando falo “amor verdadeiro”? Quero dizer que só estando na presença do outro você subitamente se sente feliz, apenas estando juntos você fica extático, apenas a presença do outro preenche algo profundo em seu coração... alguma coisa começa a cantar em seu coração, você entra numa harmonia. Somente a presença do outro lhe ajuda a ficar junto; você se torna mais individual, mais centrado, mais baseado. Isso é amor.

O amor não é uma paixão, não é uma emoção. Amor é um profundo entendimento que alguém de alguma maneira lhe completa. Alguém lhe torna um círculo completo. A presença do outro valoriza sua presença. O amor dá liberdade para ser você mesmo; não é possessivo.

Então, observe. Nunca pense em sexo como amor, senão você ficará decepcionado. Fique alerta e quando você começar a sentir com alguém que só a presença, a pura presença – nada mais, nada mais é necessário; você não pede coisa alguma – só a presença, apenas porque o outro está, é bastante para lhe fazer feliz... alguma coisa começa a florescer dentro de você, mil e um lótus brotam... assim você está apaixonado e então você pode passar através de todas as dificuldades que a realidade cria.

Muitas angústias, muitas ansiedades – você será capaz de superar todas elas, e seu amor estará florescendo cada vez mais, porque todas essas situações se tornarão desafios. E seu amor, superando-os, ficará cada vez mais forte.

Amor é eternidade.
Se estiver presente, então ele vai crescendo cada vez mais.
O amor conhece o princípio, mas não conhece o fim.

* Osho

** A nossa criança interior...

** A nossa criança interior...


"Cada um de nós possui uma criança em seu íntimo. Essa criança divertida mostra quais aspectos de nosso ser são sempre originais, únicos e inocentes. É a parte de nós que acredita que temos (assim como todas as outras pessoas_ o direito de sermos felizes e de termos alegria e, acima de tudo, de celebrar a vida.
A criança interior é um aspecto fundamental de nossa anatomia física, mental, emocional e espiritual. Sem isso não crescemos de maneira adequada.
E essa criança deseja brincar!
Ela é basicamente um espírito criativo que se manifesta por meio da invenção, do riso, da brincadeira e da arte. Poetas, escritores e artistas têm a consciência de sua criança interior normalmente mais desenvolvida. Ver o mundo com os olhos de uma criança é a maneira de muitos gênios se inspirarem. A função básica dos artistas é recapturar a intensidade, a vitalidade e a sensação de 'primeira vez' que as crianças experimentam. Ao contrário do que se pensa, crianças não são menos completas que um adulto; normalmente, têm muito a nos ensinar.
O poeta William Wordsworth escreveu: 'A criança é o pai do adulto'.
Impedir a criança que temos em nosso interior de se expressar causa problemas em nosso lado adulto e em nosso papel de pai ou de mãe. Esses problemas se manifestam por meio de nossos "jogos", especialmente os de relacionamentos.
A maioria deles não é saudável, envolve manipulação e resulta simplesmente em "perdas e ganhos", quando na verdade deveríamos ter um processo saudável, generoso e que resultasse somente em ganhos.
Um desafio básico da vida é, portanto, nutrirmos e cuidarmos da criança espiritual e divertida que existe dentro de nós. Um adulto muito sério ou crítico em demasia pode silenciá-la. O segredo está em integrar nosso adulto e criança interior de modo a criar um Eu completo.
Para nos mantermos jovens e ativos, é essencial que separemos algum tempo para brincar com nossa criança interior.
O objetivo não é crescer para deixar de ser criança, e sim crescer com a criança".

*Robert Holden

** O valor de um relacionamento...

** O valor de um relacionamento...

As ligações que existem entre cada um de vocês e as pessoas com quem se conectam baseiam-se em contratos compartilhados de alma, carma e lições mútuas. Toda interação, independentemente de ser longa ou curta, contém uma intenção da alma para a cura e o aprendizado. Não há encontros ou conexões acidentais ou casuais, cada um representa um ciclo cármico e uma abertura em seu propósito de cura. À medida que vocês encontram cada pessoa ou se defrontam com cada relacionamento, vocês se conectam com a sua orientação interna para saber o objetivo dessa conexão porque cada um está a serviço do seu caminho.

A experiência humana é uma dimensão de aprendizagem que cada alma experimenta a fim de retornar à totalidade. Vocês se veem em um aspecto singular, apesar disso cada um de vocês é um conjunto de existências em que cada uma contribuiu para um aspecto da sua separação. Suas vidas são mais do que lineares: são multidimensionais e de experiências multiníveis de amplo alcance energético. Por meio das conexões que mantêm com os demais, vocês são capazes de reaver a essência da sua alma e trazer-se de volta à totalidade no corpo, nas emoções e no espírito. Cumpre-se isso quando vocês estão cônscios do valor de cada conexão e do seu relacionamento com vocês e com a jornada de cura da sua alma.

Os relacionamentos mais desafiadores são aqueles a que vocês prestam mais atenção, mas eles nem sempre são as lições mais importantes da alma. Às vezes são as lições em receber com que vocês travam as maiores lutas. O caminho da superação que, em um nível egoico, ajuda a tornar válidas as lutas passadas, é o que vocês escolhem para ajudá-los a harmonizar os desequilíbrios energéticos, o poder perdido e os desafios criados pela crueldade, negligência, abuso ou traição dos outros. Através da resolução dessas lições, vocês se sentem mais fortes, mas o seu verdadeiro propósito é ajudar em seu retorno à totalidade. Como eles servem para desconectá-los do seu poder e qual foi o plano de cura da sua alma?

Perde-se a cura por meio da conexão e do relacionamento se vocês não estiverem cônscios de que essas dádivas são suas em toda interação. Peçam a seus guias e a sua alma para ajudá-los a se lembrar de que a vida é uma jornada de cura, cujo objetivo é trazer-lhes ao alinhamento com a sua divindade. Busquem a cura e a oportunidade de reconexão com todos de modo que recebam as bênçãos que vocês tornaram disponíveis para si mesmos. Elas são de sua criação, para o seu propósito e servem para iluminá-los, curá-los e transformá-los. Sejam gratos por elas e estejam dispostos a liberá-las quando for a época, de modo que caminhos multidimensionais de cura, de vida e de ser possam abrir-se para vocês.


Mensagem do Arcanjo Uriel através de Jennifer Hoffman
em 28 de março
de 2011

** Conhecimento e riqueza...

** Conhecimento e riqueza...

Num reino distante, certo dia um jovem que entrou na floresta, disse a seu mestre espiritual:
"Quero possuir riqueza ilimitada para poder ajudar o mundo.
Por favor, conte-me, qual é o segredo para se gerar abundância?"
O mestre respondeu:
"Existem duas deusas que moram no coração dos seres humanos.
Todos são profundamente apaixonados por essas entidades supremas.
Mas elas estão envoltas num segredo que precisa ser revelado, e eu lhe contarei qual é.
E, com um sorriso, prosseguiu:
"Embora você ame as duas deusas, deve dedicar maior atenção a uma delas, a deusa do Conhecimento. Persiga-a, ame-a, dedique-se a ela. A outra é a deusa da Riqueza."
Mas, por que devo dar mais atenção a uma delas? Quis saber o jovem. "Porque quando você dá mais atenção à deusa do Conhecimento, a deusa da Riqueza – extremamente enciumada – faz de tudo para receber o seu afecto. Assim, quanto mais você busca o Conhecimento, mais a Riqueza quer se entregar a você.
Ela o seguirá para onde você for e jamais o abandonará; assim a riqueza que você deseja será sua para sempre".
Existe poder no conhecimento, no desejo e no espírito, e esse poder que habita em você é a chave para a criação da prosperidade.

*Deepak Chopra, em "Criando Prosperidade"

sábado, março 26

** Cantiga outonal...

** Cantiga outonal...

Outono. As árvores pensando ...
Tristezas mórbidas no mar ...
O vento passa, brando ... brando ...
E sinto medo, susto, quando
Escuto o vento assim passar ...

Outono. Eu tenho a alma coberta
De folhas mortas, em que o luar
Chora, alta noite, na deserta
Quietude triste da hora incerta
Que cai do tempo, devagar ...

Outono. E quando o vento agita,
Agita os galhos negros, no ar,
Minha alma sofre e põe-se aflita,
Na inconsolável, na infinita
Pena de ter de se desfolhar ...


Cecília Meireles
de 'Nunca Mais e Poema dos Poemas'

** Talvez existam anjos com olhos de musgo...

** Talvez existam anjos com olhos de musgo...

Caminhamos por entre as árvores
com a boca a saber a menta e a malvas.
Trazemos nas mãos um herbário
de tão fugaz esperança
que nenhuma outra se tece sem desvios
na dobra do peito.
Talvez existam anjos com olhos de musgo
à beira dos abismos por onde se esgueiram
os dias que nos roubam a eternidade.
Talvez a turbulência verde na borda dos ribeiros
unja de seiva a passagem do tempo.


Graça Pires
De 'A incidência da luz', 2011

Do blog da escritora, poema de seu último livro,
lançado em 19/03/2011 - Editora Labirinto- Portugal

** O sono das águas...

** O sono das águas...

Há uma hora certa, no meio da noite,
uma hora morta, em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d'água,
nos grotões fundos
E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir...
Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.
O orvalho sonha
nas placas da folha
geme adormece.
Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes...
Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono...

Guimarães Rosa

quarta-feira, março 2

** Fazer um céu...

** Fazer um céu...

Fazer um céu, com pouco a gente faz
basta uma estrela
uma estrela e nada mais.
Para ter nas mãos o mundo
basta uma ilusão
um grão de areia
é o mundo em nossa mão.
Sonhar é dar à vida nova cor
dar gosto bom às lágrimas de dor
o sol pode apagar, o mar perder a voz
mas nunca morre um sonho bom dentro de nós.

Mário Lago

** Horizonte da infância...

** Horizontes da infância...

Construo um navio com nuvens da infância
e meu sonho navega num céu de saudade.
O sol colhendo amoras no sítio da alvorada
um velho engenho recendente da garapa
jorrando da moenda de aroeira adocicada.

As batidas inocentes pelos clarões do céu
e as colinas de assa-peixes floreando paz.
As quaresmeiras roxas, os ipês frondosos
a sombria constância das estradas baldias
os capoeirões dos carrancudos cambarás.

O canto triste dos carros-de-boi cá dentro
do meu peito onde escuto bater a solidão
das porteiras dos apriscos de minha alma
de plantão no abismo da doce melancolia
que assiste o fazendeiro do meu coração.

Construo um navio com nuvens da infância
e meu sonho navega num céu de saudade.
Do murmúrio infantil das águas cristalinas
do crepúsculo nas calmarias do horizonte
por onde fluem os ribeirões da liberdade
.

Afonso Estebanez

** Post - scriptum...

**Post-scriptum

Tudo vem a seu tempo,
Um passo, um passo mais…
E estamos nos domínios
Das coisas irreais.

Aí é que nós todos
- Os loucos, os profetas -
Temos direito ao orgulho
De ser poetas.

Porque, depois de tudo
Somado e diluído,
Não há nada melhor
Que amar e ser amado.

Por isso vale a pena
Não ter menos nem mais
Que ter alegria - plena! -
Das coisas irreais.


Raul de Carvalho
(Alvito, Baixo Alentejo,4 de Setembro de 1920 -
Porto - 1984 -)

quarta-feira, fevereiro 23

** Saudade de amar...


**SAUDADE DE AMAR...

Quando a música toca na alma
Uma reação de amor
Acaricia o coração
E a emoção faz o sentimento fluir...

Aflora lembranças
E a saudade procura na memória
O último beijo
O abraço no corpo
O carinho na alma
A paixão vibrando
Acelerando o coração...

Por horas fantasias vividas
Viajam no tempo...

O passado vira presente
Enquanto a noite lembra
O último toque do amor...
A música que parece infinita
Aperta a alma
Num abraço de ternura...

A saudade revira na cama
Acordada procura teu corpo
Sente falta de se aquecer
Da volúpia do amor
Quer provar do calor do beijo
Quer experimentar a sedução
Entre o prazer e a sensualidade do corpo...

Que ainda vivo
Ouve a música tocar...

A melodia que trouxe as lembranças
Devora os pensamentos
Sinto vontade de amar...


Regilene Rodrigues Neves

Sim, eu tento...

** Sim, eu tento...


Sim, eu quis escrever
um poema alegre.
...
Sim, eu quis antever
um poema alegre.

Sim, eu quis até viver
um poema alegre.

Mas, a vida me impôs
uma tristeza imensa.

A vida me expôs
uma franqueza intensa.

Então, não havia escolha:
como a tristeza no bolso,
esmago a ausência insana.

Mas eu quis, sim, escrever
um poema alegre.

Apenas um, porque é preciso:
enquanto ainda sobrevivo.


Jairo De Britto,
em "Dunas de Marfim"

segunda-feira, fevereiro 21

** O tom da saudade...

** O tom da saudade...


A saudade tem tons opalinos

É o passo mais cansado

De uma dança transcendental.

Tem o olhar doador,

Onde passeio os meus sentidos

Mascarados pela reflexão

de mim mesma.

E assim perco minha metade

Em outra que realizo,

Como águas que correm,

Que voam aos céus

E voltam à Terra.


*Conceição Bentes.

quinta-feira, fevereiro 17

** Se recordo quem fui, outrem me vejo...

** Se recordo quem fui, outrem me vejo...

Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é um presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.

26-5-1930
Fernando Pessoa
Em Poesia dos Outros Eus
- Obra essencial de F
ernando Pessoa
Editora Assírio & Alvim – 2007